quarta-feira, fevereiro 19, 2020
quarta-feira, novembro 06, 2019
Um poema de Sophia

As pessoas Sensíveis
As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra
"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão".
Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito
Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.
in Livro Sexto, 1962
quinta-feira, outubro 24, 2019
S/ Título

A seguir a um plebiscito, é frequente procurar nos líder partidários os bodes expiatórios para os desaires ou os heróis a quem atribuir as façanhas eleitorais. Mas na realidade, se é verdade que há alguns raros líderes que mudam sociedades, na maioria dos casos os líderes e os partidos limitam-se a expressar o que as sociedades pensam num dado momento. Basta conhecer um pouco da História para o perceber facilmente.
Os mais recentes ajustes parlamentares no hemiciclo Português não são mais que a expressão do pensamento da sociedade Portuguesa actual, e não culpa ou falência de nenhum(s) partido(s) em particular.
Resta-nos a esperança que a esmagadora maioria que representa o pensamento democrático e pluralista, tenha a capacidade e o empenho suficientes para debater e combater manifestações que não honram a tradição universalista e cosmopolita que os mais de 8 séculos de História da nossa Nação comporta.
sexta-feira, outubro 11, 2019
S/ Título

-"A culpa é vossa!"
Foi assim, sem papas na língua, que ouvi de viva voz de um Clérigo Jesuíta em resposta a uma pergunta retórica sobre as razões do estado anémico da religião em geral, e católica em particular e dos seus múltiplos e complexos problemas.
-"sejam mais exigentes!, questionem-se, mantenham-se informados e formados, e muitos dos problemas seriam evitáveis", acrescentou.
Na verdade é isso mesmo que acontece. É fácil estar de língua afiada para desferir o primeiro ataque, mas, e porque, poucas vezes temos conhecimentos suficientes para relativizar, contextualizar e esclarecer os assuntos que à Igreja dizem respeito, raramente somos capazes de ter a coragem de defender a nossa crença e explicar porquê.
Claro que tudo isto tem uma razão e uma origem. Uma Igreja acéfala, acrítica e (ainda) de multidões, interessa naturalmente àqueles que detém o poder. Acéfala e acrítica o bastante para que não crie ondas, não coloque questões e uma aparente paz vai reinando entre as ovelhas... até que um qualquer jornal, rede social ou pasquim crie um levantamento do rebanho, que depois, ( e este é o reverso da moeda com que não contam) devido à sua acefalia, se agitará em debandada desordenada e em choque uns contra os outros.
... e voltamos à primeira delação: - a culpa é vossa!
Sim. A culpa é nossa, porque a Igreja somos todos nós...
Foto: Fão, Janeiro de 2019
quinta-feira, outubro 03, 2019
terça-feira, julho 23, 2019
sexta-feira, janeiro 25, 2019
S/ Título
"O Douro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta."
Miguel Torga
quarta-feira, janeiro 23, 2019
terça-feira, janeiro 15, 2019
sexta-feira, janeiro 04, 2019
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