terça-feira, julho 15, 2008

A vida em f1.8


Esta foto, um teste de uma lente de 3 tostões (leia-se pouco mais de 100€) que recentemente adquiri, retrata a vida para a maioria das pessoas nos dias de hoje. Um passado desfocado com o presente e um futuro ainda mais difuso. A maioria dos casais que vivem do seu salário e têm compromissos a longo prazo, passam actualmente por dificuldades que eram inimagináveis num passado recente.

quarta-feira, julho 09, 2008

Quanto vale uma vida?

A avaliar por aqueles que entendem que a forma de ultrapassar a crise petrolífera que nos aflige reside no aumento da produção..., não vale nada.

terça-feira, julho 08, 2008

Nuances


Há luzes que é um pecado não as registar. Esta luz, deste dia em fim de tarde, estava de duma pureza que quase levava às lágrimas.
foto: Mereces, Barcelinhos Maio de 2008

segunda-feira, julho 07, 2008

Crónicas do Cátabo

Crónica Segunda

Do nome não recordo. Lembro bem da testa, brilhante de um suor oleoso, e das mãos, sebosas e inquietas, a segurar uma bolsilha. Este homem tinha uma estalagem, uma mulher e uma filha. Ou era uma estalagem, uma filha e uma mulher? Da estalagem é que não houve dúvidas.
Por aquela altura, já lá vai mais de uma década, no Tribunal de Barcelos foram julgados vários casos de violação. O homem da estalagem estava arrolado como testemunha num deles.
Estava-se na Primavera e corriam as Festas das Cruzes. Uma rapariga, aluna numa das escolas da cidade, com os seus 14 ou 15 anos (já não lembro bem), foi-se divertir numa das pistas de carrinhos de choque. Dias após, regressou ao mesmo divertimento. De ambas as vezes, estava sozinha. De ambas as vezes, chegou, gastou todo o dinheiro disponível em fichas e depois deixou-se ficar por ali, a assistir ao corrupio do local. A banhar-se na cativante e sedutora desordenança, como um peixe que abandona a segurança regrada do seu pequeno aquário doméstico.
Peixe de águas revoltosas e profundas, habituado a manhas e truques, com graduação obtida em festas e romarias, um empregado do divertimento não demorou a topar a rapariga.
Meteu conversa, e ela respondeu.
Ofereceu-lhe fichas, e ela aceitou.
Ganhou-lhe a confiança e a simpatia.
Um dia, esperava-a à saída da escola. Fez convite para um passeio, de carro.
Foram para um pinhal não longe da cidade. O condutor do automóvel violou-a. Cúmplice só na armadilha, o jovem da pista dos carrinhos de choque assistiu.
Gordinho, o homem da testa reluzente protestava com brandura, indignava-se com comedimento. No átrio do tribunal, já todos sabiam que era empresário e que estava impaciente e aborrecido pelo tempo, irrecuperável, que estava a perder. Tempo inutilizado ali; tempo tão querido e precioso para dedicar à sua amada estalagem.
Chegou por fim a sua vez de prestar testemunho.
O que é que nos pode dizer sobre o caso que estamos aqui a tratar?, perguntaram-lhe. E o homem da testa reluzente lamentou. Lamentou o tempo que lhe tinham feito perder. Lamentou ainda que nada pudesse contribuir, porque nada sabia.
Mas a vítima não é sua filha? É, sr. dr. juiz. Mas eu só sei que já perdi muito tempo com isto. Além do mais, eu trabalho, sou uma pessoa muito ocupada, tenho responsabilidades e a educação da minha filha é com a mãe dela. Para mais, tratando-se de coisas de mulheres.
Foto: Nuno Sousa

Vassalagem


Há sempre a ideia de vassalagem quando pensamos na Igreja Católica. Vassalagem aos padres, aos bispos, cardeais... Papa...

Haverá. Mas é uma adulteração do verdadeiro Cristianismo, porque em Igreja, a hierarquia apresenta-se como uma pirâmide invertida. À medida que subimos na hierarquia, mais estamos ao serviço dos outros.

quinta-feira, julho 03, 2008

A ponte

Ponte de Manelo - Creixomil, Barcelos

P.S. - Eis o estado das pontes. Não se constroiem novas e as que existem estão bastante degradadas. É urgente contruir pontes e esquecer os muros.