Quando nos concentramos demasiado num pormenor, perdemos a noção da realidade.
foto: Santuário de Fátima - Junho 2009

Não abdico do digital e das suas vantagens, mas há uma característica que não aprecio particularmente. Poderá parecer um contra-senso, mas aquela que é a mais aplaudida das vantagens é a que mais me desagrada. Refiro-me à possibilidade de visualizar as imagens de imediato. Gosto de dar às imagens um período de maturação. Gosto de apagar da memória um conjunto de expectativas que crio quando faço as fotos e que nem sempre se revelam como espero e abdicando desse "pre-conceito" fico aberto a aceitar outras fotos sobre as quais não tinha expectativas.
O uso do photoshop ou outros editores de imagem na fotografia, é uma discussão recorrente.
A fotografia digital, (mais que a analógica) tem uma gama dinâmica muitíssimo mais reduzida que os nossos olhos. Aquilo que os nossos olhos vêem não é o que a máquina consegue registar. Essa dificuldade limita muitas vezes a criação fotográfica, mas também pode ser aproveitada pelo seu lado positivo. Assim, graças a essa limitação técnica, conseguimos registar fotograficamente contrastes e silhuetas apesar de os nossos olhos não serem capazes de os ver.