sexta-feira, outubro 27, 2006

A história repete-se


Sem querer ter a ousadia nem o abuso de comparar algumas tentativas mais ou menos felizes de fotografias minhas com o trabalho do mestre Eduardo Gageiro, permitam-me contudo que coloque lado a lado estas duas imagens e faça sobre elas algumas considerações que me assaltaram a alma no instante em que observei e registei o momento. A primeira foto foi concebida pelo mestre Gageiro no dia 25 de Abril de 1974, aquando da tomada do poder pelas forças do MFA. A segunda, foi registada domingo passado, quando se desmontava a exposição itinerante da ACOBAR "coleccionar é aprender", organizada pela Associação de Pais de Creixomil. Mas foi a comparação das duas (salvo seja) que me instigou à reflexão e me levou à feliz conclusão que hoje tal como há 33 anos, ainda há ânsia de liberdade. As molduras apresentarão outros rostos, outros ideais (ou a falta deles), outras opressões, outras ditaduras, mas continuamos com a mesma necessidade de as depor do poder e de ambicionar à liberdade. Fico feliz por poder constatar que apesar da intimidação do desprezo e da crítica sem substância, ainda há nas pessoas vontade de... LIBERDADE.

Post scriptum: qualquer semelhança com a realidade, será pura coincidência.

1 comentário:

prenes disse...

Olá Nuno,
É uma comparação muito sui generis. São de facto duas fotografias análogas no seu verdadeiro conteúdo apesar de separadas por 33 anos.
Nos tempos que correm e numa altura que a figura do retrato está a ser muito exaltada na praça publica devido ao programa “Os Grandes Portugueses” penso ser primordial debater e conhecer ainda melhor o que a imposição incondicional contra a Liberdade afectou a nossa sociedade, isto a fim de evitar erros grotescos tanto no presente como no futuro.
Aproveitando o mote dos Gato Fedorento no sketch “Os médios Portugueses” espero que nunca volte a ser necessária uma qualquer “cadeira assassina” para a deposição de ditadores, sejam eles quais forem.