sexta-feira, março 31, 2006

Exercicio de cidadania

Tenho por hábito, não pensar pela cabeça dos outros. Por muito competentes que sejam, gosto sempre de fazer o meu juizo sobre os assuntos, de maneira a não ser acusado de padecer de uma das piores doenças da actualidade - "seguidismo".
A esse respeito, gostava de expressar publicamente a minha total discordância com o Brasão que foi aprovado (?) para representar heraldicamente a minha freguesia (brasão de cima). Segundo a memória descritiva deste brasão, estão nele representadas duas flores de linho, em alusão à actividade agricula e à industria textil, a laranja, porque Creixomil sempre foi conhecida pela terra da boa laranja, e uma roda de azenha aludindo à actividade da moagem, segundo o autor (?) muito importante na fregueia.
Em primeiro lugar, a cultura do linho, teve o mesmo peso que teve em qualquer freguesia do concelho. Em todas as freguesia se cultivava o linho para a confecção de peças de vestuário.
Em segundo lugar, a moagem e as azenhas também nunca tiveram nenhuma expressão que nos permitisse distinguir das freguesias vizinhas.
em terceiro lugar... porquê vermelho?
O único elemento que me parece oportuno é a laranja, fazendo juz à fama que as laranjas de Creixomil tinham na feira de Barcelos, então considerado o mercado por excêlencia.

As minhas propostas estão expressas em baixo e passo a explicar:
1- Verde de fundo por causa do meio bucólico e rural em que vivemos, sem grande industrialização mesmo nos dias de hoje.
2- A laranja, pelas razões que expliquei em cima.
3 - O bastão de peregrino e a cabaça, em alusão ao padroeiro Santiago e ao peso que a Igreja sempre teve na nossa comunidade.
4 - Imagem alusiva à "Campa do Frade", monumento muito antigo que se encontra (ou encontrou) no museu arqueológico de Barcelos.
5 - Brasão da Casa de Bragança, porque Creixomil era da "apresentação da Casa de Bragança", ou seja, pagava dízimo à Casa de Bragança.
6 - no brasão da direita, substitui a "Campa do Frade" pela coroa de N. Sra do Rosário, em alusão à sua centenária instituição que é a Confraria de Nª. Sraª do rosário.

Naturalmente que não sendo um expert na matéria, estas minhas propostas carecem de um tratamento crítico de um especialista, mas penso que pelo menos respeitam mais fielmente a lei quando diz no seu artigo 10º, que deve ser, simples, univoca, e genuina.

Ver Lei
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2 comentários:

prenes disse...

Gostei de conhecer as tuas propostas, pelo menos estão bem fundamentadas, e como habitante de Creixomil tens todo o direito de intervir e dar a tua opinião.
Também discordo em toda a sua plenitude com o que supostamente foi “virtualmente aprovado” naquela assembleia de freguesia, o que se viu e se concluiu, não foi mais do que uma tentativa frustrada de querer fazer mostrar trabalho feito à pressa, sem qualquer tipo de responsabilidade, conhecimento e muito menos a promoção do diálogo que este assunto implica.
Era apenas um simples trabalho de casa que deveria ter sido elaborado, procurar ideias, consultar a história de Creixomil, as suas raízes, hábitos, cultura, as pessoas, depois debater o assunto entre a população com a moderação de especialistas na matéria, e por fim levar à sua aprovação.
Agora…? Veremos!
Talvez a consciência de cidadania lhes pese.

PRENES

Adelino Silva disse...

Na verdade, pouco ou nada se pode fazer agora. Claro está que, se a Junta de Freguesia e/ou a Assembleia de freguesia quiser tomar medidas, talvêz ainda haja hipotese de corrigir o tremendo erro que a junta cometeu!
Na verdade, e como dizes, a descrição do brazão nada tem de parecido com o que foi "aprovado" em assembleia de freguesia! A junta fez tudo ao contrário. O que a lei diz é que, depois do estudo feito, devem as propostas ser discutidas em assembleia e alteradas, caso necessário. Depois devem ser aprovadas pelo orgão deliberativo da freguesia. Só depois devem ser enviadas para as instâncias superiores que, após verificarem que não existe nenhuma inconformidade, as aprovam.
Aqui, a assembleia foi confrontada com um facto consumado. Foi chamada a dizer "AMEM!"
Pena é, que os elementos da maioria PS sejam todos daltónicos e sofram da doença chamada "seguidismo" (como, muito bem lhe chamas).
Com o devido respeito e amizade que tenho com as "pessoas" em causa, tenho, no entanto que considerar que, no exercicio das funções para as quais foram eleitos, são uns cobardes!. Quero com isto dizer que, não foram capazes de fazer valer as suas opiniões nem sequer de fazer um simples comentário, preferindo a prizão do jugo que foi imposto pelo presidente da junta: o silêncio e o voto favorável!
Na verdade, não sei muito bem como é possivel confundir o verde com o vermelho e o branco do linho com o laranja, das laranjas...
E onde está a ligação com o nosso padroeiro e á casa dos Duques de Bragança?

Se os assuntos fossem tratados com seriedade, não teriamos que ficar com um brazão que "não nos diz nada"! Que lembrança fica para os nossos filhos e netos?

Adelino Silva