quarta-feira, junho 15, 2005


Cunhal - O Paradoxo

Tocado pelos acontecimentos dos últimos dias, dei por mim a reflectir (quem diria) sobre a reacção paradoxal que me causa a figura de Álvaro Cunhal. Por um lado o completo abismo entre o que ele defende para uma sociedade justa e aquilo que eu defendo. Por outro lado o fascínio absoluto e assumido pelo homem, pela sua capacidade de persuadir pessoas e leva-las a defender os mesmos ideais que defendeu.

Não entendo este paradoxo, e nem sei se alguma vez irei compreender.

Apesar de o admirar, não posso deixar de entender que o seu contributo para a história de Portugal não ficou longe do contributo de Salazar, ou seja, importante em termos de relevância, mas negativo quanto ao conteúdo programático. Dois homens de campos opostos que se encontram num mesmo ponto; o peso negativo para a história de Portugal e mesmo da humanidade.

Nuno Sousa

2 comentários:

nikonman disse...

Concordo!

José (não zé) disse...

Olá,

Quando te referes à palavra "contributo" anexando-a a um nome como o de Salazar, penso que já produziste um paradoxo.
Não tenho a idade suficiente para falar de feridas na minha própria pele, provocadas por esses tempos, mas ao ouvir os relatos e constatando a frieza ignorante da grande parte dos portugueses, afectados por essa ditadura, apercebo-me da "falta de contributo" social e cultural que reinou.

Continua com este blog. É interessante.