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quinta-feira, dezembro 05, 2013
segunda-feira, novembro 30, 2009
Uma janela

Peniche, Setembro de 2009.
Estou na ala de segurança máxima do forte de Peniche, precisamente na cela onde esteve detido Álvaro Cunhal. Nas paredes, desenhos de um dos detidos mais "perigosos". Olho para eles e compreendo porquê. Ainda hoje, vários anos depois da sua morte, continua a cativar pessoas e a transmitir a sua mensagem com a sua obra. Podemos não concordar com as suas ideias, mas mentiremos se não admitirmos que foi um homem singular e único.
A guia que nos acompanhou durante a visita, diz-nos que a princípio, nem lápis nem papel queriam dar a Cunhal. Acabaram por ceder, mas o oficial de serviço rubricava todas as folhas, o que resultou no paradoxo de assinar uma mensagem de liberdade, comunhão e fraternidade que eram o oposto do ideal que estava a defender.
Olho para os desenhos, agora emoldurados e lá está o reflexo da janela, a mesma janela gradeada que impedia a fuga, mas permitia a entrada de luz para desenhar e sonhar um mundo diferente.
segunda-feira, novembro 23, 2009
segunda-feira, setembro 07, 2009
Sobre a Liberdade

Tive o privilégio de visitar a Fortaleza de Peniche, onde estiveram encarcerados alguns dos mais "perigosos" presos políticos do tempo do Estado Novo. Ao percorrer aqueles corredores, não é possível deixar de reflectir sobre o valor da liberdade. Ao ver aquelas celas, e imaginando as torturas que nelas foram perpetradas, fico triste e até indignado pelo desprezo que muitos hoje demonstram, por um valor pelo qual tantos deram a vida.
Outros, mais condenável ainda, usam essa conquista de forma abusiva e cobarde, entrando escandalosamente no espaço que pertence à liberdade do outro, confundindo o remédio com puro veneno.


