
#street rules
Valença do Minho, 2014

Enquanto pais, temos a tendência a registar aqueles momentos que socialmente nos parecem mais relevantes na vida dos nossos filhos. É frequente, quando visitamos a casa de uma amigo, levarmos com os vídeos da primeira comunhão, do primeiro dia de aulas, da audição de piano, da entrega dos diplomas..., mas raramente esses são os momentos marcantes das suas vidas. O que vai ficar para sempre nas suas memórias são experiências simples mas marcantes. Uma tarde inesquecivel passada na praia, uma aventura às escondidas dos pais ou tantas outras pequenas coisas que a nós apenas nos merecem um ralhete.
Comprei no passado Domingo, uma versão muito simplificada da bíblia para o meu filho de 5 anos. No próprio dia, li-lhe a passagem que relata a decepção de Deus com a humanidade no tempo de Noé e o dilúvio que se seguiu. Disse-lhe que Deus teria ficado muito triste e zangado com os "homens maus" e que por isso resolveu mata-los porque haviam destruído o mundo maravilhoso que Ele tinha criado. Eis a minha estupefacção e gaguez quando ele me interpelou: - Mas papá... não se deve matar. Os cristãos (católicos, sobretudo) deviam ser capazes de ler a bíblia com a pureza de uma criança de 5 anos. A ausência de preconceitos ajudar-nos-ia a fazer uma leitura mais profunda e sincera.