"O Douro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à
força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um
excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a
subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor,
pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos
limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse
acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo
silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por
detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio
assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta."
Miguel Torga